segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Irmão melhor

Essa história eu ouvi de uma entrevista do Pedro Bloch a muitos anos atrás (1998). Ainda melhor que a história dos pregos... Não encontrei o texto em nenhum lugar. Então estão recontando a história da forma como lembro.


Na sala do médico, duas crianças de oito anos estão numa consulta de rotina.
Eram gêmeos. Desses que é difícil dizer quem é quem. Mas que a aparência não o engane. Eram irmãos
de personalidades diferentes. Na entrevista, o médico perguntou aos garotos:
_ Quem é o mais estudioso !?
_ É ele! _ respondeu alegre o mais cerelepe.
_ Ah. Quem é o mais inteligente !?
_ É ele! _ denovo o garoto cerelepe.
_ Ah. Então quem é o mais bonito !?
_ É ele! _ não titumbeou o garoto.
_ Mmm. E de quem a mãe mais gosta!?
_ É dele! _ respondeu mais um vez sem nem dar chance do seu irmão falar alguma coisa.
Bom, mas essa última pergunta também não ajudava muito: se ele é o mais estudioso, inteligente e bonito,
claro que a mãe iria gostar mais dele.
_ Escuta garoto _ exclamou o médico em tom sério _ não tem nada que você não seja "mais" não !?
_ Sim. _ respondeu o outro gêmeo _ ele é mais irmão.


[]'s
Rodrigo

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Um texto pós-moderno - better man

Espere olhando para as horas... são 4 horas. Tem que parar. Nesse tom melancólico, começa a modesta música "better man", uma balada pop composta por Eddie Vedder ainda na adolescência. A música é a ilustração perfeita da ironia. O próprio título é irônico, uma vez que em momento algum na música aparece um better man.

She lies and says she's in love with him, can't find a better man...

Irônico, não!? Para começar, com a personagem central da história, a mulher que aguarda tarde da noite seu esposo... Ela chega a treinar com o espelho o fim do relacionamento. E o que faz? Diz a negação do que queria dizer.

Vedder escreve músicas sobre sentimentos fortes. Sua relação com a mãe foi bastante complicada pelo o que descreve em suas canções. Na trilogia Mommy, Vedder descreve um homem perturbado com o relacionamento materno; a mãe mente para o filho sobre a identidade do pai, revela a verdade para o garoto na puberdade dizendo a ele como se parece com o verdadeiro pai e o leva a uma relação incestuosa. Sua reflexão: "Ainda estou vivo...". No final da trilogia, a mãe morre e o personagem central é condenado à pena capital.

Em better man, Vedder ataca a posição passiva e conformada da mãe, mas de uma forma mais singela. Basta ouvir a música uma única vez para perceber que o tom melancólico do refrão é (outra) ironia. Can't find a better man? A música cresce, continuamente, torna-se viva e cheia de esperança. É claro que ela pode. Desde o princípio sempre pode. E carregado de certeza do contrário, o refrão canta: can't find a better man x2. Can't find a better maaaaaaaaaaan... Ao final da música, o ouvinte se sente energizado e esperançoso, o que é irônico a essas palavras.

Assim, dentro da simplicidade do gênero grunge, o vocalista consegue pintar com a antítese: verdadeiro com falso, esperança com melancolia de forma clara como cristal. O recurso consagrado por imortais da literatura como Oscar Wilde e Machado de Assis fica estampado nos acordes metálicos dessa simples mas vibrante música. Da abertura sombria para o esperançoso final, os vários tons de uma figura de linguagem.

Palavras de Verdade

A primeira palavra que minha filha aprendeu a falar foi "pai". O que pode parecer estranho porque ele morava com a mãe e eu não tinha tanto contato assim com ela. Talvez tenha sido coincidência que o som que ela emitia ao me ver fosse parecido com pai. Fato é que ela aprendeu rápido a chamar o pai, a mãe e depois vários objetos. Mas nenhuma dessas palavras foi tão palavra quanto aquela que ela aprendeu a falar pouco tempo depois: "não".

O que acontece com o "não" é que esse advérbio tem um valor semântico variável. Ao contrário de mãe, pai, bola, água cujo valor semântico é constante para a criança (pai é sempre o mesmo pai, assim como bola sempre significa uma bola, oras), o não é usado para expressar a negação de qualquer coisa. Portanto, "não" pode ser qualquer coisa.

A aquisição de tal vocábulo é o início de uma nova relação com o mundo. O mundo deixa de ter apenas objetos e passa a ter história, inter relações que começam a ser compreendidas. A mudança é tão fantástica que nossas lembranças mais remotas remetem a um certo momento em que conseguimos expressar o mundo por tais vocábulos.

Hoje minha afilhada chamou a mãe várias vezes por mamãezinha. A mudança sutil entre chamar a mãe por mãe e por mamãezinha é outra enorme mudança. Quando a criança chama a mãe por mamãezinha ela já está "mal" intencionada. Ela não quer simplesmente invocar a mãe, mas chamá-la de forma que ela se sinta prestigiada, agradada por ela. E isso aconteceu porque essa criança notou que as palavras estão dentro de um jogo de comunicação onde o mais importante não é expressar o que queremos, o que já é tarefa bastante complicada, mas convencer as pessoas a nos ajudar a conseguir tal coisa.

Cá estou com meus botões a pensar que com um pouco de sensibilidade encontramos nos pequeninos gestos das crianças as sutilezas que nos tornam tão complexos.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Minisaia na Uniban

http://www.youtube.com/watch?v=gWUyKgs0u-4

http://virgula.uol.com.br/ver/noticia/news/2009/10/28/226552-aluna-da-uniban-ameacada-de-estupro-no-campus-por-usar-minissaia

Para mim, a menina da minissaia é uma heroína, ao exercer a liberdade de escolher suas vestes, e destoar de uma regra implícita, velada por sociedade cínica e
hipócrita em que “estava” inserida.

As razões que explicam a reação dos estudantes vão muito além das simplificações sobre a qualidade da escola. A natureza humana é perversa, e mesmo submersos a um mundo de controle e disciplinas, carregamentos essa perversidade intrínseca em alguma parte de nossa mente.

Abaixo, trecho extraído da natureza do terrorismo:

“O terrorismo é uma manifestação da psique. A raiz psicológica do terrorismo é um ódio quase-psicótico do ressentimento fanático que origina nas profundidades da psique arquétipa.

Um exemplo literário clássico é de Melville, Moby Dick. O Capitão Ahab, com seu ódio fanático da baleia branca, é um paradigma do terrorista moderno. Os terroristas articulados expressam-se geralmente na terminologia (arquétipa) religiosa. O inimigo é considerado como o princípio de mal objetivo [“puta” em nossa versão da Uniban] e o terrorista percebe-se como herói, agente de justiça divina ou objetiva.

Para tratar o terrorismo eficazmente nós devemos compreendê-lo. Estes indivíduos não são criminosos e não são loucos embora tenham algumas qualidades de ambos. Vamos chamá-los de fanáticos. Os fanáticos são possuídos pelo arquétipos dinâmicos transpessoais que derivam-se da coletividade inconsciente.“

Para aqueles interessados em entender mais o assunto eu recomendo um estudo sério da psicologia de C.G. Jung.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Bolsa Família - Além de Bom é Mágico ??? (2)

Uma longa discussão foi travada por conta de um artigo "científico" sobre se o bolsa família gera renda (veja post anterior). Para quem quiser conferir, o artigo está no link:

http://www.ipc-undp.org/publications/mds/33P.pdf

(Agradeço aqui Warrior e Delmar pelos esclarecimentos).

O objetivo do presente post e fazer uma análise desse artigo do senhor Paulo Henrique Landim Junior e seu prof. Dr. Naercio Aquino Menezes Filho:

A idéia do trabalho desses autores é confrontar dois grupos: aqueles que mais se beneficiaram com o bolsa família, e o os demais que servirão como grupo de controle aos dados observados.

“Para aprofundar esta análise, destacamos os municípios onde mais de 50% da população é beneficiada pelo Programa Bolsa Família. Esses municípios foram comparados com outros, onde uma parcela menor da população é beneficiada. Para isso foram criados e analisados os dois grupos de municípios: aqueles em que mais de 50% da população é beneficiada pelo PBF (grupo 1) e aqueles em que menos de 50% da população é beneficiada pelo PBF (grupo 2).” (página 10)

Feito essa divisão, é analisado, para cada grupo, o aumento do PIB e o aumento do bolsa família e constatado que com uma margem de confiança de 62,38% (ver regressão econométrica nas páginas 16 e 17) que o aumento do PIB e o aumento do repasse per capita nos municípios mais beneficiados são correlacionados.

Agora vamos refletir nesses números: por que eles são óbvios? A resposta é porque quase 62% da população ativa desses municípios recebeu o bolsa-família (página 11).

Sejamos mais radiciais para entender a questão. Vamos imaginar um outro cenário…Antes do bolsa-família, esses 62% da população não recebiam nada. Então, a partir de um certo ano, o governo passou a repassar o BF a essa população. Será que haverá alguma corelação do repasse com o PIB desses municípois? É evidente que sim, a população que contriui com o PIB do município quase triplicou.

O BF destinado a esses 712 municípios mais beneficiados não vieram deles (apenas uma fração ínfima – o PIB total desses municípios é de R$33.350.080.000,00 (página 11)), mas dos outros 4789 municípios da união. Isso chama-se repasse, e é o propósito do programa (transferir renda dos mais pobres para os mais ricos). O PIB influenciado pelo BF cresceu nessa região porque diminuiu (o PIB influenciado pelo BF) em outro lugar. É como tirar a água de um balde e jogar em outro, sugerir que como o primeiro balde está ficando seco, os baldes ficarão sem água.

Ainda, analisando o trabalho:
“Estimou-se um aumento de 0,06% no PIB per capita para cada aumento de 1% no valor de repasse per capita.”

Vamos aceitar a margem de confiança de 62% e concordar que para os 472 municípios mais beneficiados com o BF, ocorreu um aumento de 0,06% no PIB per capita para cada aumento de 1% no valor de repasse per capita, e, o que o estudo não fala, que nos demais municípios, de onde saiu esse dinheiro, o BF impactou negativamente no PIB. Daí, temos que é inaceitável concluir o seguinte:

“(..). Com base nessas informações é possível obter o benefício estimado da expansão do Programa Bolsa Família no ano de 2006. Para isso basta multiplicar 0,06 por 30,34. O valor obtido, 1,82%, é o impacto estimado do aumento de 30,34% no repasse per capita sobre o PIB dos municípios [TODOS]. Em 2006 o PIB brasileiro foi R$ 2.369.797.000.000 e, portanto um aumento de 1,82% neste significa um acréscimo de R$ 43.139.784.588,00.”

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Bolsa Família - Além de Bom é Mágico ???

Saiu no Estado de São Paulo os resultados de um estudo sobre o impacto da ampliação do Bolsa Esmola na Economia. Basicamente é o seguinte: com os 1,6 bilhão de Reais adicionais investidos no programa (de 2005 a 2006.), o governo impulsionou o PIB em 0,6% (43,1 bilhões de reais).


O significado disso é muito óbvio: de acordo com o estudo o estado não deveria perder seu tempo a não ser fazer algo que multiplica por 25 o dinheiro investido! O que não fica claro é como isso é possível. A explicação apresentada no jornal é o chamado multiplicador keneysiano. As pessoas inclusas no projeto fazem girar as engrenagens econômicas.

Bom, é díficil acreditar que demanda simplesmente gere renda... Existe um interessante post do Guilherme Stein "A Miséria do Multiplicador Keynesiano: A Lei de Say corretamente entendida", sobre esse problema. Talvez o programa tenha afetado a economia local (regiões com mais bolsas famílias distribuídas), e o jornal "estrategicamente" omitiu esse fato.

(Será? Bom houve uma longa discussão sobre o assunto no blog do JPK).

É até vazio dizer mais alguma coisa sem ter acesso ao trabalho (tive acesso e publicarei os resultado). Por outro lado, as pessoas que criticam o projeto (sem pesar seus benefícios) parecem que estão anos luz de conhecer os fatos; Simplesmente não dá para discutir se o projeto é ou não bom. Isso é ponto pacífico. Algumas discussões cabíveis: por que publicar que o bolsa família aumenta o PIB? Como melhorar o projeto?



quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Bolsa Esmola - Melhor programa ever

Tomo esse post como uma nota mental: "o bolsa esmola é o melhor programa ever". Comecemos pelos básico... O governo é uma máquina pesada, pesadíssima. O imposto brasileiro incomoda, drena 40% da renda. Isso deveria tornar o país numa social democracia: duas pessoas trabalham para sustentar uma terceira. Mas, por "algum motivo" a renda não é distribuida.

Uma pessoa do grupo dos 1% mais ricos "pode gastar em três dias o equivalente ao que um brasileiro do grupo dos 10% mais pobres levaria um ano para gastar". Ou ainda, a riqueza dos 1% mais ricos corresponde a renda dos 45% mais pobres. Uau... Comparemos isso com outros países do mundo, e encontramos 11 países em situação pior (dos 212 países analisados pela ONU): Namíbia, Lesoto, Serra Leoa, República Centro-Africana, Botsuana, Bolívia, Haiti, Colômbia, Paraguai, África do Sul. Parece ruim, não é!? Bom, é pior.
A parcela de 1% mais rico da população é aquela que tem renda per capita igual ou superior a R$4500,00.

Então voltemos ao problema do governo.. O super estado com um monte de funcionários, escolas, universidades, etc... consumindo recursos e mais recursos, não consegue fazer o óbvio: tirar esses milhões de brasileiros da miséria (uma distribuição equalitária de 33% da renda seria suficiente para isso). Mas o que? Que absurdo! Sair por ai distribuindo o meu dinheiro suado!!! Deixa para lá... É mais justo o governo saquear 40% da renda para não fazer nada, né!?