Eu não acredito no que estou fazendo. Estou maculando meu blog com um post sobre BBB. Então, primeiro, a minha defesa, por que escrevo sobre isso. Basicamente porque todas as análises sobre o programa que li foram toscas e por muitas vezes de pessoas que se sentiram ofendidas, magoadas, pelo resultado. E? E o fato delas se sentirem magoadas é sinal que elas precisam aprender a respeitar a opinião alheia. O presente texto tem objetivo apaziguador, diplomático e didático.
Toda essa discussão que o último BBB trouxe já torna evidente a relevância do programa. Ele traz em voga a discussão sobre comportamento e a percepção do comportamento.
Não importa quanto a produção tenha manipulado os jogadores, ou quanto a edição participou do programa. Fato é que um enredo fora apresentado e ao final de cada semana um outro jogo era travado. Sim, a votação é um jogo que como foi provado por Kenneth Arrow, matematicamente impossível de se ter um sistema que seja perfeitamente justa (ou que otimize a função de bem-estar social).
Não vou entrar aqui nos detalhes da teoria dos jogos e sobre a impossibilidade de Arrow. Estou apenas deixando evidente que o público jogou BBB, no intuito de fazer valer o seu gosto individual, sua opinião sobre o que achou mais interessante. E cabe aqui ressaltar um outro detalhe que muitos não compreenderam: O público do BBB não tem interesse em escolher o participante de maior QI, conhecimento, etc. Não tem motivo algum para escolher o “participante” que seria o melhor presidente da república porque esse poderia ser um chato que não teria feito ressaltar suas qualidades ou, mais do que isso, não teria transmitido alguma ideia relevante.
É claro que quando digo “participante” falo da imagem do participante real, do recorte apresentado ao público da história que ele viveu ali, da série de decisões e atitudes naquele intervalo de espaço-tempo (obviamente editadas, manipuladas, etc _ ressalto que isso não interessa. A história é mais importante que a veracidade dos fatos; porque é essa que é analisada). Se essas decisões e atitudes refletem um ponto de vista é o que basta.
Pois, voltando ao público como jogadores. O jogo torna-se mais interessante quando pontos de vista que partes do público se identificam colidem. Aí a inteligência dos produtores em selecionar tipos, caricaturas que provoquem discussões (e outras interações) entre o público.
Mas então, qual seria o ponto de vista que o vencedor desse BBB apresentou? Pedro Bial, o jornalista apresentador do reallity show, deu excelentes pistas disso, no discurso que declarou o vencedor da competição, quando muitos já haviam fracassado miseravelmente. Sim, porque alguns preferiram simplificar a história como: a vitória do preconceito sobre a diversidade. Torpe! Débora Secco, fortemente malhada por Tutty Vasquez se aproximou muito mais da realidade com suas declarações despretensiosas do que esses jornalistas.
Segundo, segundo Bial, Dourado representou a ideia do cara sofrido, derrotado mil vezes pela vida mas que ainda assim insistia em lutar. O grande perdedor, transformado em vencedor na epopeia. Já Débora Secco avaliou que o personagem representou o imperfeito, a pessoas cheia de defeitos, como as pessoas reais, e que mesmo assim jogava para ser vitorioso; foi o errado que deu certo.Vasquez foi taxativo: a lógica da militância dourada: “por maiores que sejam os defeitos, dá para vencer no Brasil”.
Vasquez, porque você fugiu da biblioteca nas aulas de literatura? Poderia teria aproveitado “Memórias de um sargento de milícias” e ter aprendido que existem personagens pícaros (os bons professores de literatura costumam ensinar sobre isso). Se você mora na Terra e tem um pouco de senso crítico já deve ter percebido que existe um desgaste do maniqueismo.
Falo de Tutty Vasquez porque ele foi o epitoma da obtusidade. Mas outros jornalistas falaram sobre o reinado do lado negro a partir do BBB7, sobre os jedis do lado claro da força. Aff!
Dizer que algum gay deveria ganhar é igualmente patusco. Pela própria ideia de igualdade, a opção sexual do vencedor não deveria importar em absoluto. Um gay não é um gay antes de tudo. É uma pessoa, e como pessoa deveria ser julgado. Essa é a ideia de igualdade que parece ter permeado o julgamento do público, ou pelo menos da maioria “vencedora”.
A maioria que tomou repulsa desse tipo de imposição de valores (“esse Big Brother deveria ser para celebrar a diversidade”. A resposta do público foi como: “O BB celebra o que eu quero, cara pálida”.
As impressões passadas pelo personagem dourado refletem, além do que já foi falado (seu jeito pícaro, do coração Rocky Balboa ), a repulsa a imposição. Algumas de suas frases ilustram bem isso: Numa brincadeira ao vivo de como o publico gay aumentava no Brasil, o Dourado se pôs como hétero, dizendo ser da "resistência hétero". Outra, quando Dicesar, após indicá-lo para o Paredão, na mesma semana que havia falado que ele merecia uma folga do paredão responde: “Apesar de ser viado, seje homem”.
Mas, muitas outras divertidas e absurdas frases serão encontradas na internet. Aqui uma pequena seleção:
Fernanda : Dourado, você vai chupar o picolé de banana ?
Dourado: Eu não chupo, eu como.
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Dourado: Homem que é homem não repara em celulite.
Serginho: Eu reparo!
Dourado: E você é homem?
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Dourado na piscina e Fernanda pergunta: Vai mergulhar?
Dourado: Não. Só entrei pra ver se não era Sprite.
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Dicesar : Você não deveria rir assim porque escapou de um paredão.
Dourado: Você votou em mim ?
Dicesar: Sim.
Dourado: Então estou rindo é de você
Outras estapafúrdias (e equivocadas) como a frase sobre a relação dos homossexuais e a AIDS.
Cabe, enfim lembrar uma frase célebre de Oscar Wilde, um dos maiores escritores do mundo, diga-se de passagem, gay: “É absurdo dividir as pessoas em boas e más. As pessoas ou são charmosas ou tediosas”.
quarta-feira, 7 de abril de 2010
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1 comentários:
!?‽
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